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Place of reflection.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Cindy – Uma pequena homenagem a você.




Sempre, sempre, sempre fui fissurada por cães. Não podia ver um, não me importa a raça que seja que eu ia atrás. Chegava com o dono e perguntava “-Ele morde?” “Não” Pronto, era tudo que eu precisava. Passava um bom tempo brincando com aquele cão desconhecido até meus pais - ou o próprio dono – me expulsar. E foi graças a isso que hoje eu tenho a Cindy.

Eu sempre admirei os cães. Desde pequena pela beleza, graciosidade e o fato de serem eternos brincalhões. Depois que cresci um pouco descobri mais sobre eles. Que não eram apenas animais brincalhões. Eram amigos, dos mais fiéis que você vai encontrar por ai. Daqueles que não importa o que você tenha ou o que pode dar, mais eles estarão ao seu lado. A partir daí eu passei a gostar de verdade deles. Queria um cão. Queria muito ter um cachorro. Irritei meus pais por anos pra ter um cachorro. Perturbava, chorava fazia birra. E só depois descobri que ganhei o meu primeiro cachorro cedo demais. Era pequena, não cuidei dele, ninguém educou, não conhecia nenhum livro ou site que pudesse me ajudar, e deu no que deu. Ele ficou mal-educado, mordia todo mundo - menos a mim -, fazia as necessidades por toda a casa, raspava a porta, latia o tempo todo, destruía os móveis, puxava pra passear, e tudo que se pode achar horrível num cão. Depois de um tempo acabamos dando ele, por puro capricho meu. Quero que fique bem claro que me arrependi muito do que fiz. Depois dele, passei muito tempo até convencer meus pais a me dar outro cão. Após uns cinco ou seis anos consegui convencer eles. E durante esse tempo percebi a falta que me fez, a saudade que aquele grande amigo me dava. E a partir daí realmente comecei a valorizar os cães. Decidimos ter um dachshund. O Teckel, popular salsicha ou Cofap. Procuramos muito por um bom exemplar mais não achamos. Fomos ao kennel e procuramos um criador. O mais próximo era no Maranhão. Decidimos procurar no jornal. Achamos um. Quando fomos ver os filhotes a surpresa: Todos inchados, aparentando estar com verme, com caroços nas costas, pareciam ter alguma doença de pele, e ainda por cima o dono não tinha nada que comprovasse que eles tinham tomado vermífugos ou vacinas. Nem pensar. Voltamos pra estaca zero. Quando já estava quase sem esperança de ter um novo cachorro. Foi aí que encontrei a Cindy. Minha mãe encontrou ela, um filhote marrom, magrinho, feio, com sarna, pulga. Mas ainda assim a trouxe pra casa. No inicio eu não gostei muito. Estava doente e eu pensava “-nossa, ela é horrível!” Mas depois de um tempo, depois de tentar fazer com que ela não chorasse a noite, depois de brincar todas as manhãs com ela (ela chegou em julho) depois de tentar ensinar ela o lugar do banheiro, comecei a pegar afeição por ela. Ela subia pelas minhas costas e lambia minha orelha, mordia meus dedos, dormia na minha mão. Ela passou a ser o melhor cachorro do mundo. No inicio eu a achava feia, tinha sarna, a cor da pelagem dela era estranha. Mas agora não. Ela era especial. Eu estava com ela em casa, mas a todo momento tinha risco dela sair de casa tão rápido quanto entrou. Meu irmão tinha alergia, ela chorava a noite, não aprendia o local das necessidades, os vizinhos reclamavam. Então eu descobri o fórum adestrador online (www.adestradoronline.com/forum). Nele eu aprendi tudo que tinha que ensinar à Cindy. Ela parou de latir, aprendeu o lugar das necessidades, aprendeu a andar na guia, ficou dócil, não atacava, aprendeu mais de vinte truques, não havia nada ao qual eu pudesse reclamar. Os únicos problemas que ela apresentava eram em relação à comida. Ela roubava comida da mesa, mexia no lixo, mas como ela veio da rua, isso era explicável. Mas o único problema que não conseguimos resolver, o que não podia continuar, o que ia a fazer sair de casa, simplesmente não era culpa dela. O meu irmão não agüentou de alergia. Ela teve que sair de casa. Tentamos, fizemos tratamentos, lutamos muito, mas não deu certo. Agora ela está na casa da minha avó, onde eu a posso visitar sempre, onde ela tem um quintal só pra ela, onde serve de segurança para minha avó, onde meu irmão não tem alergia. No fim sei que foi o melhor, mas como fiquei triste com isso. Não, não perdi as esperanças. Quando eu tiver uma casa, com um bom quintal, sei que vou tê-la de volta. Não é possível que o primeiro cão ao qual eu dediquei tempo, atenção, preocupação, aprendi tanta coisa, vai sair assim de perto de mim. Sei que um dia vou ter ela de volta. Que um dia vou acordar com ela do meu lado. Que um dia ao dormir, vou olhar pra ela e vou dizer boa noite. E que um dia isso vai acontecer todos os dias. Eu acredito nisso. Cindy foi o cachorro mais especial na minha vida. Nunca vou esquecer essa cadela que marcou minha vida. Aprendi muita coisa com ela. Enquanto estávamos juntas, pesquisei de tudo, e aprendi coisas que nunca imaginei aprender. Descobri como cães e pessoas podem ser treinados - e de maneira muito mais parecida do que eu imaginava -. Que na verdade pit bulls não são bandidos. São as vítimas. (E ainda vou explicar isso muito bem em um post, podem cobrar de mim) Que os cães não são problemáticos. Exceto em problemas psicológicos, o culpado das atitudes de um cão é o próprio dono. E muito mais. Hoje cães são muito importantes para mim. São o meu grande hobby. Aquele hobby que você quer encontrar todo dia. Que quando ouve alguém falar sobre cães, você quer se meter no meio. Que quando vê um cão, quer fazer carinho. Que quer resgatar aqueles cães de rua, aqueles que todo mundo jogou fora. Que quando ouve alguém falar algo errado sobre cães, você quer corrigir, mostrar o certo, dar dicas, recomendar algo. Que quando alguém tem ou quer um Pit Bull, Rottweiler, ou outro cão desse tipo, quer falar que eles não são monstros, que devem ser socializados, que não pode bater, que tem que educar, recomendo o fórum. Que quando alguém quer comprar um cão, você quer recomendar que ele procure um canil, que veja o temperamento dos pais, e tudo mais. Passei a me preocupar com cada cão como se fosse meu grande amigo há muito tempo. Graças a Cindy eu pude ajudar várias pessoas, e a mim mesma também. Infelizmente hoje ela não pode estar aqui ao meu lado. Mas como sempre dizem, se você ama alguém, deve deixá-lo ir. A Cindy não saiu da minha vida, está apenas um pouco distante, mas já faz um grande vazio. Obrigada Cindy, por tudo que fez a mim, e desculpa por não te tratar de maneira melhor. Te amo muito. Obrigada por tudo.

Um comentário:

Fúlvia e Suzie disse...

Que homenagem linda pra Cindy!!! Adorei o seu blog, parabéns, você escreve muito bem!