Um lugar onde posso falar sem ninguém me atrapalhar. Onde posso mostrar meus argumentos sem interrupções. Onde posso mostar o que eu penso sem obrigar ninguém a prestar atenção. Um lugar onde posso falar através de letras e ninguém pode me mandar calar a boca. Um lugar para refletir.

Place of reflection.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Viagem para a Europa - Parte 1


* o teclado daqui nao possui acentuacao ;)

Bom, depois de mais de 32h alternando entre aeroportos e avioes, finalmente eu cheguei =}. A primeira impressao, logo que cheguei no aeroporto de Amsterdam foi: Estou perdida. Pensei que soubesse o que era um lugar grande. Nao, eu nao sabia. Depois de um corredor imenso e muitas lojas, finalmente consegui pegar minha mala e encontrar meus parentes. Eu realmente pensei que seria mais frio, ate que o clima e agradavel :) Cheguei no nosso apartamento, tomei um banho, comi um pouco de blueberries (que gostei muito), jantei, e depoi dormi durante muito, muuuito tempo. Eu estava realmente cansada. Acordei meio dia (hora daqui, no Brasil eram...hum... sete da manha) Arrumei minhas malas, ja que viajo pra Londres amanha, e fomos dar um passeio. Pegamos meu primo na creche, e fomos pro centro da cidade. Muitas lojas lindas, vistas belissimas, "almocei" (cinco da tarde) um ravioli delicioso, realmente muito bom! Depois dei uma olhada em umas esculturas de areia muito bonitas, e visitamos uma construcao imensa, pelo que eu entendi uma antiga prisao, onde eventualmente a familia real passa uns tempos.

Aqui, obvio, tudo e muito lindo. Estou gostando muito da viagem, e sem duvida muita coisa ainda esta por vir. Bom, essas foram as primeiras impressoes, quando tiver tempo posto mais. Beijos :)

terça-feira, 16 de junho de 2009

Fim de tarde




Fim de tarde. Um desses lugares onde não mora ninguém, quando muito algumas famílias pobres, perto de um desses riachos ou mares. Um lugar tranqüilo, onde o tempo desliza suavemente por entre os dias, sem nenhum tipo de pressa. Um fim de tarde, onde o sol pinta o céu, de maneira que é impossível explicar como um só lugar pode ter tantas tonalidades, que variam entre tons pastéis e azuis turquesas, entre laranjas dóceis e violetas. O horizonte, limite da nossa visão, revela uma linda selva, que teve a sorte maior de nunca ser explorada por um daqueles monstruosos seres bípedes, que surgem sabe se lá de onde, vem sabe se lá por que, mas que levam sabe se muito bem o que: A vida que ali existe.

Na imensidão aquática que existe logo à frente, é possível ver vão reflexo do exuberante céu. Não bastasse isso, esse aglomerado de gotinhas forma uma união tão bela, que chega a formar outra dimensão, onde vivem animais dos mais diversos tipos, em plena paz e harmonia. E os humanos, tão cheios de si, não conseguem se igualar nem sequer a gotículas de água.

Uma ponte, simples, de madeira, feita pelos próprios moradores locais, ou visitantes periódicos, se estende sobre a água. A ponte, é claro, não foi a natureza quem fez, mas foi feita de maneira tão simples, tão inocente, tão livre de sentimentos grandiosos, que se encaixou no cenário, o tornando mais alegre, e mesmo sendo apenas um pontezinha, ela completou o cenário. Eis uma característica das coisas simples: Completar mesmo sendo tão pouco. Aliás, quem disse que as coisas simples são pouca coisa?

Por fim, nesse cenário, ao mesmo tempo tão simples e ao mesmo tempo tão digno de admiração, se vê um humano. Perto dele, um lindo cão de pelagem longa e dourada, com seu focinho macio e orelhas felpudas, com um sorriso tomando seu rosto. Não é um cão de ricos, nem sequer é famoso. Não dorme em camas de couro alemão ou come o melhor alimento do mercado. Com sua exuberante beleza, ele pula por tal cenário, como se nunca fosse se saciar de estar ali. Persegue uma bola simples, mas com tal convicção que parece que nunca poderia viver sem isso. Um cão simples, num cenário simples. Uma cena simplesmente feliz. Como podem os humanos complicar tanto as coisas?

terça-feira, 14 de abril de 2009

Barbáries. Simples rotina.

Pra qualquer leitor de jornal, ou pra quem assiste a qualquer tipo de telejornal, são as notícias do dia-a-dia. Pra qualquer morador de um bairro violento, rotina. Coisas que deveriam causar choque, indignação, revolta, não causam mais. São apenas uma em um milhão, dizem. Noticias como essas são tão comuns que existem pessoas que ao começarem a escutar, ler ou presenciar, nem mesmo ficam chocadas ou comovidas, só expressam um “Isso de novo”. Chegamos a um ponto que matar, roubar, estuprar, queimar, espancar, seqüestrar, não são mais sequer dignos de espanto.

Não sou contra a liberdade de imprensa. Acho-a fundamental numa sociedade. Mas temos que saber avaliar o impacto de nossos atos. Existe um princípio chamado co-responsabilidade inevitável. Para explicar, vou utilizar o exemplo que Augusto Cury deu em um de seus fantásticos livros: “Hitler queria ser um artista plástico e procurou a Escola de Belas-Artes de Berlim, mas foi rejeitado. Se o professor dessa escola o tivesse acolhido, talvez o mundo tivesse tido mais um pintor medíocre, mas certamente não um dos maiores psicopatas da história.”. O que isso significa? Todos os atos, por menor que sejam, causam impactos, por mais que não sejam perceptíveis a primeira vista. Já tratei sobre como pequenos atos, coisas do dia-a-dia influencia sobre o comportamento geral das pessoas, e como tais atos podem gerar violência, mesmo que não se tenha esse objetivo. A mídia, tanto jornais, televisão, rádio, revistas, e enfim, influenciam consideravelmente em coisas assim. Na eterna busca por audiência, colocam atrocidades atrás de atrocidades, na tentativa de chocar as pessoas, e, conseqüentemente, gerar audiência. Mas não percebem os gravíssimos efeitos colaterais. Há um tempo ataques de pit bull eram o alvo favorito. De um minuto para outro os pits, raça que já fora considerada a melhor, símbolo de coragem, usada por muitos para vender produtos e até incentivar o alistamento militar, especialmente nos EUA, se viu taxada como assassina, traiçoeira, infiel, digna de morte, e até como ajudante do demônio. Em outro post expliquei exatamente porque isso não passava de uma mentira, um modo de se ganhar espectadores. Mas alguém vê os pits na mídia? Eles não estão mais lá. A moda já é outra. Agora são pais matando filhos, ou adolescentes matando em massa. Agora que televisão, revistas, rádios e jornais perceberam que os pits não chamam atenção, pararam de colocá-los em foco. Só que isso trouxe efeitos colaterais. Milhares de pits foram abandonados, maltratados, espancados, vítimas de maus-tratos, trancafiados em espaços pequenos, acorrentados, afinal, uma raça traiçoeira como essa não pode estar com uma família. A mídia deixou essa conseqüência, e sem se importar com isso, já pulou pra novos assuntos. Só que isso vai deixar sempre conseqüências. E alguém chuta quais as conseqüências de mostrar milhares de pessoas mortas, estupradas, seqüestradas?

O efeito disso é simples: Se tornam coisas cotidianas, banais, normais, sem importância. Alguém consegue avaliar o impacto de se transformar uma barbárie em algo banal? Algo banal se torna mais aceitável. Matar passa a não ser mais tão ruim. Drogas? Todo bom adolescente tem que usar. Estupro? Não passou de uma diversão. Foi preso? Um idiota que não soube fazer direito. Existe um princípio chamado princípio das janelas quebradas, segundo o qual um prédio antigo, desocupado, tem várias janelas de vidro. Após um vândalo quebrar a primeira, se forma uma reação em cadeia, e os outros vândalos sentem menos ao quebrar as outras. E os seguintes, vêem que aquilo é normal, quebram as outras sem nenhum remorso. Ao se mostrar milhares de imagens de pessoas nas mais horríveis situações, se cria uma imagem de que isso é comum, e faz com que as pessoas considerem tais barbáries como coisas normais, cotidianas. CLARO, isso vai influenciar os futuros assassinos, estupradores, drogados, ladrões, seqüestradores, a se sentirem mais livres pra fazer atrocidades, afinal, “todos fazem”, ou o pior, “fazem coisa bem pior que isso”. Pra piorar as pessoas reforçam isso, especialmente pais, que tem o papel de passar aos filhos os exemplos, ao tratar de tais assuntos como besteiras, mostram a eles que são coisas sem importância. Existem ainda, um pesadelo maior, os que DEFENDEM os criminosos. Pais que DEFENDEM os filhos depois que eles agrediram, roubaram, mataram pessoas. Esses, é triste até comentar.

Em nome de um país onde tais atrocidades não continuem a ser “normais”, onde matar alguém tenha o peso que realmente tem, onde estupros sejam coisas repugnantes, não rotina, eu peço realmente um cuidado maior de todos nós, principalmente pais, no que dizemos ou como agimos. E, especialmente, eu espero que a mídia se conscientize do verdadeiro impacto que tem. Não ajude a transformar barbaridades em simples rotina. Não faça de morte e destruição a noticia diária, que acompanha o nosso pão de cada dia. E, aliás, não só isso, que parem de transformar orgias, violência, desrespeito, preconceito, ofensas, e todos os males que nos assolam em meras coisas normais, aceitáveis. Só sei que eu, pelo menos, não assisto televisão a uns belos meses. Não preciso de tanta informação construtiva. Aprendi a fazer coisas bem mais úteis no meu tempo livre. Escrever esse texto, e ler os livros do Augusto Cury por exemplo. Eles são muito bons ^^

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Pit bull

Inúmeras vezes encontro pessoas que não simpatizam com cães. Com pit bulls então, nem se fala. Inclusive muitas admitem adorar cães, mas detestarem pits. Só eu sei como fico triste as ver pessoas assim. Na verdade entendo algumas. Elas acham cães barulhentos, que só servem pra dar trabalho, irritantes, entre muitos outros motivos. Até ai tudo bem. Talvez nunca tenham conhecido um cão exemplar, ou se sim nunca deram a ele uma oportunidade de mostrar o que realmente é. De qualquer modo talvez simplesmente não gostem de cães e ponto. Eu também não gosto de peixes como animais de estimação, já tive um e não gostei. Simples assim. Não há nada errado em não gostar de algo. As que não gostam de pits, apenas pelo fato de serem cães, não vejo problema algum. E os que gostam de cães, mas não de pits, simplesmente por não gostarem da raça também não vejo problema algum. Eu mesma sou apaixonada por cães mas não sou muito chegada em pinchers. O problema não é não gostar. É não respeitar quem gosta, e pior ainda, querer exterminar esses cães. Eu vi aqueles noticiários berrantes sobre ataques a pits, apesar de hoje não serem tão comuns assim. Eu sei que isso assusta, até eu, se não conhecesse cães como conheço hoje, teria raiva deles. Ai mora o perigo. Tomamos conclusões precipitadas sem conhecer absolutamente nada do assunto. As pessoas acham que sabem tudo sobre eles: São monstros, matam, logo tem que morrer. Errado. Isso é o que os jornais querem mostrar, pois faz as pessoas assistirem e comprarem o que eles vendem: Informações escandalosas. Eu não tenho raiva de pits. Tenho pena. Pois sei coisas que a maioria da população não sabe. Sei que muitas pessoas acham que pits são monstros por natureza, matar está no instinto deles. Errado. Eu sei que a grande maioria das raças atuais, pra não dizer todas, foram modificadas pelo homem para atender suas necessidades. Cães pastores como borders collies, shetlands, pastores alemães, entre inúmeros outros foram criados para pastorear ou cuidar do gado. Cães de guarda como rotts, dobermanns, enfim, foram criados para defender pessoas, território, ou o que quer que fosse posto para ser defendido. Mas e pits? Para que pits foram criados? Pits bulls, assim como Bull terriers e acredite se quiser, buldogues, foram criados para lutarem contra touros, e mais tarde para participarem de rinhas. Devido a esse passado eles não costumam aceitar muito bem outros cães ou animais, especialmente do mesmo sexo. Buldogues já foram muito modificados desde aquela época, e por isso quase não demonstram esse passado. Apesar de essas raças terem esse passado “violento”, nunca, nenhuma, foi criada para ser um “monstro” ou um assassino. Pois isso seria um grande perigo até para criadores e donos. Hoje sei que o problema não é a raça. É o modo como você a trata.

Pessoas se questionam por que tanto ataques de uma raça especifica, e por que a maioria das vitimas são crianças. Eu acredito, pelo pouco que meus 14 anos me permitem saber e avaliar, que a “culpa” de tudo que cães fazem é devido a seis fatores principais. São eles:

· Raça.
· Temperamento dos pais
· Personalidade própria
· Tratamento proveniente dos donos
· Estado de saúde
· Socialização

-Raça. Segundo o Aurélio, raça é a divisão de uma espécie animal provinda do cruzamento de indivíduos selecionados para manter ou aprimorar determinados caracteres. Para manter ou aprimorar características de uma raça isso o cão deve vir de uma linhagem de cães selecionados, resultantes dos cruzamentos de apenas uma raça. O único modo de saber se um cão é de raça, é o certificado conhecido como pedigree. Cada aça possui caracteristicas proprias, mas um cão que não possui pedigree não tem a certeza de que é de raça. Portanto só porque um cão parece ser de uma raça, não quer dizer que ele seja. Um pit bull padrão não deve ser agressivo sem motivo com humanos, deve ser calmo, mas não costuma aceitar muito bem a presença de outros cães. Pit bulls não são cães próprios para guarda, podem até ser treinados, mas não é recomendado, pois não tem o instinto de guarda, como outras raças, tais como rottweilers, pastor alemães, etc. A grande vantagem que os pode tornar bons cães de guarda é meramente estético, pelo fato do porte e da “má fama” para assustar os bandidos. Resumo: Só porque parece um pit bull, não necessariamente é, logo não se pode culpar uma raça inteira por uma mistura que ocorreu em algum lugar. Aqueles filhotes que nasceram no quintal do vizinho e vendeu o filhote por R$50 é praticamente certeza que não é um pit bull padrão, logo se ele causou um ataque, a culpa não é “da raça”.
-Temperamento dos pais. Se um cão vem de pais nervosos e agressivos, não se pode querer filhotes calmos e tranqüilos. Se querem um bom filhote, devem procurar pais equilibrados e sociáveis
-Personalidade própria. Como todos , cães tem características individuais. Se não querem ter muito trabalho com seu cão, não deviam pegar o primeiro filhote que vem pulando, pois em geral esses costumam ser os mais agitados e dominantes.
-Tratamento proveniente dos donos. Talvez um dos mais importantes de todos. Cães costumam se espelhar no ambiente onde vivem. Eu já percebi que em locais onde há muito barulho e confusão o cão costuma ser barulhento. Num lugar onde as pessoas são estressadas o cão costuma ser muito estressado. Com donos esportivos os cães são animados e atléticos. O que faria com que donos violentos e agressivos não gerassem cães violentos e agressivos? Donos que batem muito, mostram ao cão que com quem é mais fraco devemos usar a força. O que ele faz? Ele usa a força com quem é mais fraco que ele, assim como o dono o fazia, mas quem ele vai atingir? Seus filhos, esposas, amigos dos seu filhos. Cães que apanham muito ainda podem se tornar medrosos e agressores por medo, o que em geral é muito mais perigoso.
-Estado de saúde. Esse é outro que tem grande influência. Um cão ferido, mal-alimentado, maltratado e doente pode ter atitudes imprevisíveis devido às reações do que ele está passando. Ainda tem outro fator, que é muito raro acontecer, mas quando acontece é o um caso muito perigoso, são os cães com problemas mentais. Mas nada de dizer que todo ataque é devido a problemas mentais. Já falei e repito, um cão com problemas mentais É MUITO RARO.
-Socialização. Todo cão deveria ser socializado, ou seja, ser apresentado a todo tipo de situação, pessoas, animais e objetos, para que no futuro não venha a estranhar nenhum desses casos. Cães que não passeiam e não conhecem outras pessoas, ao ver uma nova a estranharão e terão medo. Pode parecer ridículo, mas um cão que não foi apresentado a outras pessoas pode achar que as únicas existentes são os próprios donos e qualquer outro ser humano é algo novo e perigoso para ele.

Esses são fatores básicos, e cada um tem uma grande influencia no futuro cão. Um desses itens que não estava em ótimas condições pode trazer desde pequenas conseqüências a gravíssimas. Um cão que não seja de raça, não há previsão de como será o temperamento, o que pode ser ou não importante. Vira-latas, ou SRDs (Sem Raça Definida) são totalmente imprevisíveis em relação a temperamento, mas costumam gerar ótimos cães. Pais desequilibrados podem gerar filhotes de todos os modos, sem um mínimo de previsibilidade de como serão. Um cão com uma personalidade incompatível com a família pode gerar graves problemas. Um dono que não sabe educar um cão pode ensinar coisas erradas, causar traumas, incentivar atitudes problemáticas, criar um cão agressivo, e treiná-lo para atitudes totalmente perigosas. Um cão doente e mal-alimentado pode agir de maneiras perigosas, pois não temos controles das reações que um cão maltratado pode ter. E um cão que não tenha tido socialização pode estranhar coisas simples do dia-a-dia e causar acidentes. Cada item desses é importante, e todos deviam estar atentos a todos quando quisermos um cão, e principalmente, antes de julgar as atitudes de um cão.

Muitos vão ler tudo isso e não vão entender nada. Vão achar besteira o que eu digo. Elas vão continuar achando que a culpa é do cão. Queria que elas conhecessem a realidade. Que pit bulls são espancados todos os dias. Que pits são presos em fundos de quintal para ficarem “ferozes”. Que pessoas dão “bombas” para pits parecerem musculosos. Que pessoas põem pit em rinhas, lhes causando graves feridas e medos irrecuperáveis. Que pessoas os sub-alimentam, com farinha e água, deixando os em estado de saúde precário. Que existem filhotes de pit que nunca brincaram com ninguém. Que há pits que nunca saíram do raio de alcance de suas correntes. Vejam que até já falei do mal-trato proveniente dos donos, do estado de saúde precário, da falta de socialização. Não estou considerando sequer o temperamento dos pais ou a personalidade própria. É engraçado as pessoas acharem que a culpa é da raça, será que ninguém percebe que qualquer raça, nessas circunstâncias, teria uma atitude altamente perigosa? . Queria que todas soubessem que existem pits – e foram muitos desses que causaram os ataques - mal tratados, que são espancados, presos em correntes e sub-alimentados, quando não alimentados com sangue de boi, e quando o dono não consegue manter isso, começa a soltar animais, como gatos, para que ele persigam, capturem e se alimentem. Aposto que muitos não acreditam nesse último. Sim, dão gatos para que pits capturem e os dilacerem. Isso não é devido a eles serem monstros ou sedentos de sangue. É que se eles não comerem aquele animal, irão morrer de fome. Muitos provavelmente conhecem casos de pessoas que para sobreviverem beberam urina. Ou lutaram contra seus medos e atacaram animais maiores que si. Ou agiram como canibais e comeram carne humana. Engraçado a essas pessoas é dado crédito, são consideradas heróis, que venceram tudo para se manterem vivas, mas que quando é um animal que lambe as fezes de seus filhotes recém-nascidos, ou algum cão de rinha, ou algum cão que dilacerou outro animal é considerado um animal repugnante ou um monstro sanguinário, quando tudo isso é apenas um ato desesperado para a sobrevivência própria ou dos semelhantes.

Talvez eu pudesse comparar pits – e não só eles, outros cães grandes e conhecidos como “perigosos” – a aviões. Foi feita uma pesquisa sobre qual raça causava o maior número de mordidas. Entre cem (100) raças, Pits ficaram em quarto. De baixo para cima. Em 96°, algo como antes do antepenúltimo. Os cães que estão em primeiros são cockers, poodles, labradores, dachshunds. A mesma coisa um avião. É um dos meios de transporte mais seguro. Acidentes de avião raramente acontecem, enquanto que os de carro acontecem todos os dias. Quando tem um acidente de avião, o efeito é mais forte claro, assim como a mordida desses cães. Mas o número de pessoas mortas nos acidentes de avião é muito menor em relação às mortas em acidentes de carros. Assim como as mordidas de pits são bem menos comuns em relação aos ataques de outras raças. Mas quando há um acidente de avião a mídia dá a maior atenção. Em todos os canais mostra “A tragédia do acidente aéreo mata tantas pessoas”. Nossa como isso me lembra as notícias sobre pits. “Tragédia com pit bull mata fulano” . São muito parecidas, mas eu sei a diferença. Ninguém resolve exterminar aviões devido a esses acidentes, mas pits sim. Quando um avião cai, todos querem saber a causa. Com o pit não. Basta saber que ele matou alguém. A mídia não mostra a situação em que ele se encontrava, como era tratado, seu estado de saúde física e mental, nada.

Pits são cães maravilhosos. Tem características fantásticas. Por serem médios, são muito fáceis de serem transportados e cuidados. Por serem rápidos e fortes, podem ser utilizados em resgates, em capturas de bandidos, e em diversas outras coisas. Já vi vídeos de pits saltando por cima de carros e correndo numa velocidade incrível, ao mesmo tempo que já os vi descansando tranqüilo ao lado do seu dono idoso. Imagine uma cão deste na policia. Atualmente muitos países já usam pits no policiamento, enquanto que as pessoas têm todo esse preconceito. Queria que imaginassem um cão desse fazendo companhia a alguém. Sabe qual é o maior problema do pit? Ele é um cão fantástico, mas que não sabe ser usado. Essa é a verdade. E para que as pessoas não tenham que admitir seus erros tem gente querendo exterminar essa raça.

Se procurassem no youtube iam encontrar dezenas de vídeos de leões, tigres, ursos, leões marinhos, sendo carinhosos com seus tratadores. Até esses animais, que deveriam ser desconfiados com seres humanos se tornam doces e carinhosos. Eles são muito mais fortes que um pit bull, alguns são carnívoros, não foram feitos para serem dóceis com seres humano, mas com um bom tratamento passam a confiar neles. Será que as pessoas conseguem tratar um leão de maneira a ele ficar dócil, mas não conseguem fazer isso com um mero cão? Será mesmo preciso exterminar esses cães? Será que todos não estão criando ódio de um animal que nada quis fazer de mal? Será que na verdade os impiedosos assassinos não são na verdade indefesas vítimas? Eu não tenho ódio de um cão que atacou alguém. Tenho ódio do dono que deixou isso acontecer. Eu penso nisso antes de mostrar repudio por um pit bull. Eu conheço o verdadeiro culpado. E isso faz toda a diferença.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Violência

Todo dia eu observo no que o mundo está se tornando. E não é preciso nem sair de casa, andar pela rua, sequer olhar pela janela. É só ligar a televisão e por toda parte mostram sempre a mesma coisa: violência.
Telejornais são completamente previsíveis. Mal ligo e já mostram: muitas quadrilhas, tantos mortos, tantas crianças sendo abusadas, e não só sexualmente. Criminalidade subiu tantos por cento em tal cidade, foi descoberta uma quadrilha que desviava milhões todo dia. Câmeras instaladas em tal parte da cidade revelam barbaridade praticada contra turistas. Ou então de repente alguém matou uma criança. Por olhômetro acho que cada telejornal tem pelo menos cerca de 85% de todas as notícias voltadas exclusivamente para crimes e violência.

Sempre pensei que a culpa era dos outros. Que era “alguém ai em algum lugar” que causava tudo isso. Hoje sei que não. Que esse “alguém ai em algum lugar” não existe. Certa vez li um texto, uma frase em especial que me fez pensar muito. “Ninguém ajuda as crianças com fome, os idosos do asilo ou os cães abandonados. Isso é muito fictício. O que existe, sim, são as crianças do orfanato XXX, os idosos do asilo XXX e os cães do abrigo XXX, que eu ajudo com quantia XX todo mês.” Não existem culpados da violência. Existem sim as pessoas que formarão – ou não – os futuros bandidos, assaltantes, seqüestradores, espancadores e afins. São as pessoas, eu, meu vizinho, o professor, o meu amigo, todos nós, daquele casebre no interior àquela mansão na beira da praia, do mendigo de rua àquela celebridade, que vamos formar – ou não – os futuros bandidos, assaltantes, seqüestradores, espancadores e afins

O que a máquina-de-enxurrar-tragédias nos mostra todo dia é o resultado do conjunto das ações que tomamos. Eu percebo nas pessoas – e em mim mesma - que sempre achamos que fazemos tudo certo, que a culpa é sempre dos outros. Esse é o pensamento mais ridículo que podemos ter. O modo como aquele seu filho rebelde, aquele cachorro agressivo te trata, é culpa de quem convive com ele. Uns tem mais ou menos culpa, mas todos têm uma parcela, seja pela suas atitudes, ou pela falta delas. Sei que erro, e erro muito, mas quando percebo onde posso melhorar, tento modificar as minhas atitudes para melhorar as dos outros. Claro que muitas vezes terceiros irão me impedir, mas sei que tentei, a partir de agora a atitude tem que vir de outro É impossível agir sozinho. Continuarei tentando, mas enquanto não me ajudarem, não vou poder ter sucesso. Às vezes queria falar onde está o erro dos outros, mas sei na pele que isso é muito difícil. As pessoas acreditam estar sempre certas, e tentar interferir no modo como tratam seus amigos, cães, e especialmente filhos é igualável a lhes dar um soco, lhes ofender profundamente. Revidam com frases como “Trato ele como ele EU quiser!”, “ O filho (amigo, cachorro) é MEU e faço com ele o que quiser!” ou ”Tá insinuando que não sei educar (ou agir com) meu filho (ou cachorro ou amigo)?”. É muito difícil admitir que estamos errados, eu sei, mas as vezes as pessoas deviam ser mais compreensivas.

Eu nunca havia percebido onde estavam os erros. Hoje eu percebo que está tudo tão irraizado, tão na nossa cultura, que nem percebemos quando somos ou não agressivos, e mais difícil ainda, que atitudes devemos tomar. Aquela mãe que diz que não bate, mais depois de insistir muito perde a paciência e dá um tapa, ensinou muita coisa errada. A começar, o principal, que você pode até insistir, mas não deu certo, use violência, ou seja, com violência tudo se resolve. Aquele pai que briga no trânsito por uma batidinha demonstra ao filho que qualquer coisa deve ser resolvida na violência – nem que seja verbal – pois violência resolve tudo. Um amigo que dá socos no amigo para se divertir ou comemorar algo, mostra que até em coisas nas quais violência é completamente desnecessária, nós podemos – e devemos – usar força. Alguém que ameaça bater numa criança para conseguir algo ensina a ela que quer se quer algo é só ameaçar. Uma pessoa que bate no cachorro por que ele pegou sua meia ensina que tudo deve se resolvido na violência, especialmente com quem é mais fraco que ele. Sei que quem olha pensa que não é nada, que “foi educado assim”, que “tem que se defender”, que “comemoração boa é assim”, que “criança tem que ter medo pra respeitar”, ou que “cachorro tem que aprender à base de porrada pra respeitar”, ou coisas do gênero, mas não. Isso influencia sim, e muito. Aquele filho que levou o tapa da mãe pode um dia dar um tapa no rosto de alguém porque foi contrariado, e ainda levar outro tapa por isso. Aquele filho que viu o pai brigando um dia pode se meter em uma briga de rua e sair muito ferido. Aquele amigo um dia pode dar um soco mais forte e os dois vão começar a brigar. Aquela criança no futuro pode ameaçar bater – ou matar, dependendo do caso – se alguém não fizer o que ele quer, e aquele cachorro, no dia que alguém pegasse seu osso preferido, poderia fazer como seu dono, resolver na porrada com que é mais fraco, e morder a esposa ou filho daquele dono. E engraçado que ele vai ser taxado de monstro e provavelmente surrado, quando não sacrificado. Quando comecei a perceber essas – e várias outras – situações, foi que percebi o quanto essa violência de todo dia é culpa de todos.

Eu compreendo a situação em que a maioria das pessoas se encontra. Não é culpa delas, o que fazem é o que aprenderam de seus pais, mães e amigos. E é isso que elas deviam mudar. Se os pais delas agiram de maneira agressiva e elas passaram isso adiante, o que fazer para acabar com a violência? Agir de maneira tranqüila e pacifica, pois conseqüentemente iria ensinar as pessoas ao seu redor a fazerem o mesmo. Iria evitar a formação dos bandidos, ladrões, assassinos e todos esses “maus elementos” que nos assolam hoje em dia. Eu freqüentemente aprendo coisas novas no fórum, li um livro espetacular (Don’t Shoot the Dog – Karen Pryor), me informo por diversos meios como agir melhor. Se as pessoas fizessem a mesma coisa, talvez um dia esse mundo fosse um mundo melhor, com menos violência tão perto de nós, e talvez as máquinas-de-enxurrar-tragédias um dia possam ser diferentes do que são hoje.

Sei que muitos acham que meu pensamento parece muito simples, perfeitinho e fácil, mas se as pessoas realmente acham que não vai fazer a diferença, deviam pensar na história do garoto que devolvia conchas ao mar, pois caso contrário ela acabariam morrendo. Disseram que ele estava fazendo um trabalho inútil, pois em pouco tempo a maré ia mudar e mais conchas iam voltar. E o que ele respondeu? “- Pode até ser, mas para essa – então ele jogou uma concha ao mar- eu fiz a diferença”. Pelo menos eu penso que cada pessoa ou bicho que eu trato de maneira gentil, eu faço a diferença. E essa pessoa pode tratar mais pessoas da maneira gentil, e essas pessoas farão o mesmo. Pensando bem, se uma atitude tão simples da minha parte pode mudar tanto esse mundo, então, porque não fazer? Quem sabe eu posso mudar – nem que seja um pouco – a situação atual em que vivemos. E isso já vale muito para mim.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Cães

Cães

Cães. Como eu posso explicar em um post o que os cães são para mim? Bom, não sei. Vou tentar.

Durante toda a minha infância sempre fui louca por cães. Eram lindos, adoravam brincar, e eram uma ótima diversão. Apenas quando fiquei mais velha que percebi a real importância deles para mim. Eram mais que cães. Eram companheiros. Eram mais que companheiros. Eram amigos. Mais que isso. Eram os amigos mais verdadeiros e fiéis que um dia eu já iria ter.
Na verdade eu sei que pra mim eles são muito, muito mais que pra maioria das pessoas. Eu, na verdade, acho que cães são muito melhores que nós em vários aspectos. Cães conseguem se manter em harmonia entre seus membros. Os lideres caninos não impõe respeito por terem um cargo melhor, mais dinheiro ou serem mais agressivos e meterem medo. Os lideres caninos são escolhidos também pela força, mas não a utilizam para conquistar a liderança. Eles não precisam. Para um bom líder, basta um olhar ou movimento que os outros já sabem que não devem disputar liderança. E um bom líder não massacra os subordinados. Ele inclusive divide alimento e lugares. Pois sabe negociar. Um bom líder não se mete em briga à toa, pois precisa estar íntegro para liderar uma matilha. É calmo e se mantêm tranqüilo nas situações que precisam dele. Consegue manter a harmonia entre todos sem se utilizar de força. E muitas outras coisas. E nós? Nós os ditos “animais racionais” tão inteligentes e perfeitos? Escolhemos lideres por terem dinheiro, amigos, influência ou por agradar o povo com falsas promessas. E depois eles são corruptos, gastam nosso dinheiro e muito mais. Ajudam sim, mas muito menos do que deveriam. Os encarregados de manter a ordem, os policiais, apesar de ter bons integrantes, de respeito, têm pessoas que só sabem impor sua liderança por medo. Que matam civis em busca de bandidos. Que ajudam os bandidos a conseguirem o que querem. Que SÃO os próprios bandidos. Criamos coisas complexas, fabricamos coisas caras e que prometem fazer muito. E no final não valorizamos coisas simples. Criamos valores fúteis, que nos fazer matar mais e mais pessoas. Achamos que qualquer coisa vale mais que uma vida, e vemos todo dia casos de pessoas que matam, roubam, estupram, seqüestram. Alguém já ouviu falar de um cão que fizesse o mesmo, puramente por ganhar algo? Nós usamos nossa “inteligência” para descobrir muita coisa. Descobrimos ciência, química, física, matemática, e tudo mais. Descobrimos cura para doenças. O engraçado? Descobrimos curas para doenças que nós mesmo criamos. O mais cômico, pra não dizer trágico? Com o mesmo material que usamos para descobrir essas curas, fabricamos bombas que vão matar milhares de pessoas. Então, depois descobrem a cura para as doenças que a bomba criou. Como somos inteligentes. Ainda acha que somos tão melhores assim? Pfff...já disse e repito, temos é que aprender muito com os animais. Temos que aprender a ser amigos verdadeiros (pois cães não abandonam seu dono só porque não pode pagar a ração que eles gostam). Aprender que quando o perigo aparece, você não deve fugir, deve ficar, enfrentar seus medo e defender seu amigo (pois quando um agressor aparece o cão fica lá, se machucando, correndo até risco de morrer, só pra defender seu dono). Que as coisas que realmente importam são as coisas simples (pois um cão troca qualquer seção de massagem pra rolar na lama com o dono). Que dinheiro não importa, contando que você seja um bom amigo (Pois cães ficam do seu lado sempre, mesmo que você seja um mendigo) E que você deve estar sempre do lado do seu amigo mesmo que ele seja – ou ache que seja- melhor que você (pois um cão fica, do seu lado, mesmo você achando que ele é inferior, que é “apenas um cão”) Temos que admitir cães tem muitos mais a nos ensinar do que pensamos. Vamos ver, você ainda acha que somos melhores? Então vamos avaliar um ser humano dito perfeito. Ele ajuda as pessoas, não é ganancioso, ama o próximo, dá valor as coisas simples, não pensa em dinheiro, protege quem ele ama, não é corrupto, tudo que faz é pro bem das pessoas e de sim mesmo, trabalha sem reclamar, dá um bom exemplo pro filhos, adora crianças. Perfeito não é? Sabe o curioso? Essa descrição me parece um cachorro. E se quiser saber uma raça em específico, pra ter uma idéia melhor, pense em um labrador. Em um golden. Em um retriever. Em um cão de caça, trabalho ou pastor. Ajuda por prazer, trabalha sem reclamar, cuida das crianças, é fiel ao dono, protege a família. Não quer salário, não cobra nada. Que curioso não é? Espero que você comece a olhar com outros olhos os cães ao seu redor. Eles podem ser muito mais do que você imagina. Bom pelo menos é o que EU acho. É a MINHA opinião em relação animais tão fantásticos que são os cães. Alias, não só os cães! Gatos, papagaios, periquitos, peixinhos, tartarugas, iguanas, cavalos, macacos, chinchilas, coelhos, hamsters, todos os animais são animais espetaculares! Grandes amigos, que estão sempre ao nosso lado! Falo de cães, pois sempre tive muito contato com eles. Já tive vários tipos de animais, e todos foram especiais, mas o cão foi o que eu mais me identifiquei. Animados, sempre felizes, amigos fiéis, não querem nada em troca da sua companhia. Bom, mas todo mundo me acha uma maluca mesmo, porque você deveria me ouvir não é? Só acho que as pessoas se acham muito. Chamar alguém de animal é praticamente ofensa. Por favor! Somos, SIM, animais. Somos mamíferos, bípedes, temos pêlos, nascemos, crescemos e morremos, temos doenças, temos instintos, qual é o problema de ser chamado de animal? É o mesmo de xingar o poodle da vizinha de cachorro. Ninguém está falando nada de mais.

Pense nisso. Será que você não está achando que o tem ao seu lado é um animal tão “inferior” quando na verdade talvez ele seja melhor que você? “Durmam com esse barulho.” (Como diria Flávio Lamenza – acertei o nome? - do blog chongas )

Finalizando, espero que, mesmo quem não vai encarar os cães de maneira diferente, deixem que eu pense da maneira que julgo melhor. Estou sendo ridícula? Problema meu. Amo os cães e nada vai me fazer mudar de idéia. Pra mim cães são isso. Seres maravilhosos, que estão pra nos ensinar muita coisa. Simplesmente são tudo. Pra terminar, deixo aqui umas frases que tem tudo a ver comigo:

"Dogs are not our whole life, but they make our lives whole.(Roger Caras )"

“Ninguém pode se queixar da falta de um amigo, podendo ter um cão. (Marquês de Maricá)”

“NÃO TRATE SEU CÃO APENAS COMO UM ANIMAL, ELE É MUITO MAIS QUE ISSO!!”

“Eu gostaria de ser uma pessoa tão boa quanto os meus cães acham que eu sou.”

"Dinheiro pode te comprar um bom cachorro, mas só o amor pode fazê-lo abanar seu rabo."

“Eu não tenho um animal de estimação. Eu tenho um amigo de quatro patas!”

(retirados das assinaturas de usuários do fórum www.adestradoronline.com/forum)

Cindy – Uma pequena homenagem a você.




Sempre, sempre, sempre fui fissurada por cães. Não podia ver um, não me importa a raça que seja que eu ia atrás. Chegava com o dono e perguntava “-Ele morde?” “Não” Pronto, era tudo que eu precisava. Passava um bom tempo brincando com aquele cão desconhecido até meus pais - ou o próprio dono – me expulsar. E foi graças a isso que hoje eu tenho a Cindy.

Eu sempre admirei os cães. Desde pequena pela beleza, graciosidade e o fato de serem eternos brincalhões. Depois que cresci um pouco descobri mais sobre eles. Que não eram apenas animais brincalhões. Eram amigos, dos mais fiéis que você vai encontrar por ai. Daqueles que não importa o que você tenha ou o que pode dar, mais eles estarão ao seu lado. A partir daí eu passei a gostar de verdade deles. Queria um cão. Queria muito ter um cachorro. Irritei meus pais por anos pra ter um cachorro. Perturbava, chorava fazia birra. E só depois descobri que ganhei o meu primeiro cachorro cedo demais. Era pequena, não cuidei dele, ninguém educou, não conhecia nenhum livro ou site que pudesse me ajudar, e deu no que deu. Ele ficou mal-educado, mordia todo mundo - menos a mim -, fazia as necessidades por toda a casa, raspava a porta, latia o tempo todo, destruía os móveis, puxava pra passear, e tudo que se pode achar horrível num cão. Depois de um tempo acabamos dando ele, por puro capricho meu. Quero que fique bem claro que me arrependi muito do que fiz. Depois dele, passei muito tempo até convencer meus pais a me dar outro cão. Após uns cinco ou seis anos consegui convencer eles. E durante esse tempo percebi a falta que me fez, a saudade que aquele grande amigo me dava. E a partir daí realmente comecei a valorizar os cães. Decidimos ter um dachshund. O Teckel, popular salsicha ou Cofap. Procuramos muito por um bom exemplar mais não achamos. Fomos ao kennel e procuramos um criador. O mais próximo era no Maranhão. Decidimos procurar no jornal. Achamos um. Quando fomos ver os filhotes a surpresa: Todos inchados, aparentando estar com verme, com caroços nas costas, pareciam ter alguma doença de pele, e ainda por cima o dono não tinha nada que comprovasse que eles tinham tomado vermífugos ou vacinas. Nem pensar. Voltamos pra estaca zero. Quando já estava quase sem esperança de ter um novo cachorro. Foi aí que encontrei a Cindy. Minha mãe encontrou ela, um filhote marrom, magrinho, feio, com sarna, pulga. Mas ainda assim a trouxe pra casa. No inicio eu não gostei muito. Estava doente e eu pensava “-nossa, ela é horrível!” Mas depois de um tempo, depois de tentar fazer com que ela não chorasse a noite, depois de brincar todas as manhãs com ela (ela chegou em julho) depois de tentar ensinar ela o lugar do banheiro, comecei a pegar afeição por ela. Ela subia pelas minhas costas e lambia minha orelha, mordia meus dedos, dormia na minha mão. Ela passou a ser o melhor cachorro do mundo. No inicio eu a achava feia, tinha sarna, a cor da pelagem dela era estranha. Mas agora não. Ela era especial. Eu estava com ela em casa, mas a todo momento tinha risco dela sair de casa tão rápido quanto entrou. Meu irmão tinha alergia, ela chorava a noite, não aprendia o local das necessidades, os vizinhos reclamavam. Então eu descobri o fórum adestrador online (www.adestradoronline.com/forum). Nele eu aprendi tudo que tinha que ensinar à Cindy. Ela parou de latir, aprendeu o lugar das necessidades, aprendeu a andar na guia, ficou dócil, não atacava, aprendeu mais de vinte truques, não havia nada ao qual eu pudesse reclamar. Os únicos problemas que ela apresentava eram em relação à comida. Ela roubava comida da mesa, mexia no lixo, mas como ela veio da rua, isso era explicável. Mas o único problema que não conseguimos resolver, o que não podia continuar, o que ia a fazer sair de casa, simplesmente não era culpa dela. O meu irmão não agüentou de alergia. Ela teve que sair de casa. Tentamos, fizemos tratamentos, lutamos muito, mas não deu certo. Agora ela está na casa da minha avó, onde eu a posso visitar sempre, onde ela tem um quintal só pra ela, onde serve de segurança para minha avó, onde meu irmão não tem alergia. No fim sei que foi o melhor, mas como fiquei triste com isso. Não, não perdi as esperanças. Quando eu tiver uma casa, com um bom quintal, sei que vou tê-la de volta. Não é possível que o primeiro cão ao qual eu dediquei tempo, atenção, preocupação, aprendi tanta coisa, vai sair assim de perto de mim. Sei que um dia vou ter ela de volta. Que um dia vou acordar com ela do meu lado. Que um dia ao dormir, vou olhar pra ela e vou dizer boa noite. E que um dia isso vai acontecer todos os dias. Eu acredito nisso. Cindy foi o cachorro mais especial na minha vida. Nunca vou esquecer essa cadela que marcou minha vida. Aprendi muita coisa com ela. Enquanto estávamos juntas, pesquisei de tudo, e aprendi coisas que nunca imaginei aprender. Descobri como cães e pessoas podem ser treinados - e de maneira muito mais parecida do que eu imaginava -. Que na verdade pit bulls não são bandidos. São as vítimas. (E ainda vou explicar isso muito bem em um post, podem cobrar de mim) Que os cães não são problemáticos. Exceto em problemas psicológicos, o culpado das atitudes de um cão é o próprio dono. E muito mais. Hoje cães são muito importantes para mim. São o meu grande hobby. Aquele hobby que você quer encontrar todo dia. Que quando ouve alguém falar sobre cães, você quer se meter no meio. Que quando vê um cão, quer fazer carinho. Que quer resgatar aqueles cães de rua, aqueles que todo mundo jogou fora. Que quando ouve alguém falar algo errado sobre cães, você quer corrigir, mostrar o certo, dar dicas, recomendar algo. Que quando alguém tem ou quer um Pit Bull, Rottweiler, ou outro cão desse tipo, quer falar que eles não são monstros, que devem ser socializados, que não pode bater, que tem que educar, recomendo o fórum. Que quando alguém quer comprar um cão, você quer recomendar que ele procure um canil, que veja o temperamento dos pais, e tudo mais. Passei a me preocupar com cada cão como se fosse meu grande amigo há muito tempo. Graças a Cindy eu pude ajudar várias pessoas, e a mim mesma também. Infelizmente hoje ela não pode estar aqui ao meu lado. Mas como sempre dizem, se você ama alguém, deve deixá-lo ir. A Cindy não saiu da minha vida, está apenas um pouco distante, mas já faz um grande vazio. Obrigada Cindy, por tudo que fez a mim, e desculpa por não te tratar de maneira melhor. Te amo muito. Obrigada por tudo.